Mitologia Nórdica: As Nornas, as Runas e o Destino (Wyrd)
Para os Vikings, o conceito de sorte não existia realmente. Tudo era regido pelo « Wyrd » (o destino inelutável). Descubra como Odin e as tecedeiras do destino influenciavam a vida de mortais e deuses.
A mitologia nórdica deixa pouco espaço ao acaso tal como o entendemos. Para os povos escandinavos da era vikinga, o Wyrd — o destino pessoal e cósmico — regia toda a existência. Os próprios deuses estavam-lhe sujeitos, até ao Ragnarök. Neste mundo de gelo, fogo e Yggdrasil, três figuras femininas gravam o destino de cada um; um deus de um só olho pendurou-se nove noites na árvore do mundo para obter as Runas, símbolos de poder e de adivinhação. Este artigo guia-o ao coração desta visão do destino.
O Panteão Nórdico (Æsir e Vanir)
A mitologia nórdica distingue duas famílias divinas: os Æsir, deuses guerreiros e soberanos, e os Vanir, associados à fertilidade, à natureza e à riqueza. Após uma guerra, os dois clãs fizeram as pazes e trocaram reféns; os Vanir Freyja e Freyr vivem desde então entre os Æsir.
Entre as figuras principais: Odin (Óðinn), pai dos deuses, deus da guerra, da sabedoria e da magia; Thor (Þórr), deus do trovão e protetor dos humanos; Freyja, deusa do amor, da magia (seidr) e da morte; Loki, gigante adoptado pelos Æsir, astuto e desencadeador do Ragnarök; Tyr (Týr), deus do direito e do juramento, que perdeu a mão para acorrentar o lobo Fenrir. No centro de tudo ergue-se Yggdrasil, a árvore do mundo que liga os nove reinos e ao pé da qual se sentam as Nornas.
As Nornas: As que gravam o destino
As Nornas são o equivalente nórdico das Moiras gregas. Habitam junto ao poço de Urd, ao pé de Yggdrasil, e gravam o destino de cada ser — mortais e deuses — na casca da árvore ou em tabuinhas. Os seus nomes encarnam as três dimensões do tempo:
- Urd (Urðr) — «o passado»: o que foi tecido e não pode ser desfeito.
- Verdandi (Verðandi) — «o presente»: o que está a acontecer.
- Skuld (Skuld) — «o futuro»: o que há de acontecer, a dívida do destino.
Os seus decretos são definitivos. Nem os Æsir os podem contrariar: o Ragnarök — o fim do mundo e a morte de muitos deuses — já está escrito no Wyrd. As Nornas não são deusas a quem se reze por «sorte»; personificam uma ordem a que todo o cosmo obedece.
Odin, o sacrifício e a magia das Runas
Para obter o conhecimento das Runas, Odin ofereceu-se em sacrifício a si mesmo: pendurou-se num ramo de Yggdrasil, trespassado pela própria lança, durante nove dias e nove noites. No fim desta prova, as Runas foram-lhe reveladas — símbolos ao mesmo tempo de escrita, magia e adivinhação.
As Runas eram usadas como sorteio mágico: gravavam-nas em madeira ou pedra, lançavam-nas ou extraíam-nas, e interpretava-se a sua disposição para ler o futuro, tomar decisões importantes ou sondar a vontade dos deuses. Esta prática lembra a nossa necessidade actual de «deixar o acaso decidir» — seja com dados, a roda da fortuna ou um sorteio. No AmStramGram pode usar a nossa roda do destino, os nossos dados ou cara ou coroa para tomar uma decisão ou simular um sorteio, num espírito lúdico e moderno.
Fontes e referências
Para aprofundar a mitologia nórdica, as Nornas e o Wyrd, eis recursos de autoridade:
FAQ – Vikings e destino
Existe um deus da sorte na mitologia nórdica? +
Quem são os equivalentes das Moiras gregas? +
Como é que os nórdicos liam o futuro? +
Como Odin: deixa o acaso decidir
Gira a roda, lança os dados ou joga cara ou coroa para tomar uma decisão à maneira dos antigos tiradores de runas.
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