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Cultura e Diversão

Por que o número 4 é invisível no Japão? 🇯🇵

O Japão é uma mistura única de alta tecnologia e crenças antigas. Aqui, plantar os hashis no arroz ou cruzar um carro fúnebre requer reflexos muito precisos...

📅 23 jan. 2026 ⏱️ 5 min de leitura ✍️ Julien Bon❤️

Nos dramas e animes, tudo parece perfeitamente organizado: trens pontuais, robôs humanoides, banheiros futuristas... No entanto, por trás dos neons de Tóquio, o Japão continua sendo um país onde as superstições estão em toda parte.

O número 4 apagado dos elevadores, os hashis que nunca devem ser plantados no arroz, os polegares escondidos nos punhos quando passa um carro fúnebre... Cada gesto tem uma história, muitas vezes ligada à língua ou aos ritos funerários.

Sente-se: vamos ao País do Sol Nascente para entender por que certos números, certos gestos e até mesmo um gato de cerâmica podem mudar seu destino. ⛩️


4 = morte: a tetrafobia japonesa

Em japonês, o número 4 muitas vezes se lê como "shi"... como a palavra 「死」 (shi), que significa "morte". Resultado: o 4 é considerado um número maléfico, assim como o 13 para nós.

Em muitos hospitais, hotéis ou edifícios, você não encontrará um quarto 4 nem um 4º andar. Passam diretamente do 3 para o 5, exatamente como alguns arranha-céus ocidentais pulam o 13. Números de telefone ou placas contendo muitos 4 também são evitados.

O número 9 também é mal visto: se pronuncia "ku", como 「苦」 que significa sofrimento. 4 = morte, 9 = dor: entendemos por que certas combinações (como 49) não fazem ninguém sonhar...

💡 Sabia que?

Em alguns hospitais japoneses, os quartos 4 e 9 são suprimidos ou reservados para usos técnicos. Dar um presente em grupos de 4 (4 pratos, 4 xícaras...) também pode ser muito mal recebido, como uma piscadela um pouco mórbida.


Tsukitate-bashi: o tabu dos hashis plantados

Se você tivesse que lembrar uma regra de mesa no Japão, seria esta: nunca plante seus hashis verticalmente em sua tigela de arroz. Este gesto se chama tsukitate-bashi e é considerado extremamente chocante.

Por quê? Porque durante os funerais budistas, uma tigela de arroz é colocada na frente do altar do falecido, com hashis plantados verticalmente, como varas de incenso. Reproduzir este gesto na mesa é literalmente imitar um rito funerário durante uma refeição.

Em vez disso, os hashis sempre são colocados em um apoio para hashis ou na borda da tigela, paralelos à mesa. Se você esquecer esta regra, verá todos se apressarem para removê-los...

💡 Evite também

Nunca passe comida diretamente de seus hashis para os de outra pessoa: este gesto lembra o momento em que os ossos do falecido são passados durante a cremação. Outro super tabu na mesa.


Esconder os polegares quando passa um carro fúnebre

No Japão, se você cruzar um carro fúnebre, não basta baixar os olhos: você também deve esconder seus polegares em seus punhos fechados. Este reflexo pode parecer estranho... até você olhar as palavras mais de perto.

O polegar se chama 「親指」 (oya-yubi): literalmente "dedo pai". Ao esconder seus polegares, você "protege" simbolicamente seus pais da morte que passa. Não fazer isso seria quase desrespeitoso com eles.

Alguns vão ainda mais longe: se afastam ligeiramente, seguram a respiração ou murmuram uma breve prece interior. O carro fúnebre concentra em si a ideia da morte que circula; o gesto do polegar é uma forma discreta de dizer: "não aqui, não agora".


Maneki-neko: o gato que convida a sorte

Se você já notou um gato de cerâmica levantando a pata na entrada de uma loja, restaurante ou salão de beleza, você encontrou um maneki-neko – literalmente, o "gato que convida".

Segundo a lenda, um gato salvou um senhor convidando-o com um gesto da pata a se abrigar em um templo logo antes de uma tempestade. Desde então, este gesto se tornou símbolo de proteção e prosperidade.

  • Pata esquerda levantada: atrai clientes.
  • Pata direita levantada: atrai dinheiro e sorte.
  • Cor branca: pureza e boa fortuna, dourada: riqueza, preta: proteção.

💡 Sabia que?

Em alguns bairros comerciais, as vitrines estão cheias de maneki-neko de diferentes tamanhos e cores. Eles são considerados quase como funcionários invisíveis encarregados de atrair clientes.


🎯 Em Resumo

Entre números amaldiçoados, gestos de mesa proibidos e gatos da sorte, o Japão mostra o quanto as superstições permanecem vivas mesmo em um país ultramoderno. Acredite nelas ou não, elas estruturam a vida cotidiana: você escolhe seu número de andar, tem cuidado com seus hashis, esconde seus polegares e cumprimenta o pequeno gato na vitrine.

👉 Esconda seus polegares, não plante seus hashis no arroz... e para o resto, deixe ao acaso e às estrelas!

Esconda seus polegares e bom apetite!

Para o resto, deixe que o destino faça seu trabalho: lance os dados ou consulte seu horóscopo do dia para ver se a sorte está com você.

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